PEJOTIZAÇÃO NA ENFERMAGEM: AMEAÇA AO PISO SALARIAL E À VALORIZAÇÃO DA MAIOR FORÇA DE TRABALHO DA SAÚDE

Autores

  • Eloisa Melo Garcia Coordenadoria de políticas públicas para mulheres do município de Porto Velho, Rondônia.
  • Rafael Ademir Oliveira de Andrade Universidade Federal de Rondônia

Palavras-chave:

enfermage, pejotização, precarização do trabalho

Resumo

Introdução: A enfermagem, maior categoria profissional da saúde no Brasil, enfrenta um processo histórico de desvalorização e precarização do trabalho, agravado pelas reformas neoliberais e pela expansão da pejotização. Essa prática, que substitui vínculos formais por contratos via pessoa jurídica, transfere riscos e custos ao trabalhador e ameaça direitos conquistados, como o piso salarial nacional da categoria. Objetivo: Analisar de que forma a pejotização reflete a precarização do trabalho na enfermagem e quais são seus impactos na efetivação do piso salarial previsto na Lei nº 14.434/2022 e na valorização profissional da categoria. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases como SciELO, REBEn e REEUSP, além de documentos institucionais do COFEN e do Ministério da Saúde. Foram selecionados 13 estudos nacionais e internacionais publicados entre 2015 e 2025, que abordam a precarização laboral, o neoliberalismo e o piso da enfermagem. Resultados: Os estudos apontam que a pejotização, ao disfarçar relações de subordinação, amplia a instabilidade, reduz direitos e intensifica o adoecimento físico e mental dos profissionais. O fenômeno está associado à feminização da profissão e à lógica neoliberal de individualização das responsabilidades. Ademais, compromete a aplicação do piso salarial, uma vez que empregadores utilizam contratos precários para contornar a legislação. Considerações finais: A pejotização representa uma ameaça concreta à efetividade da Lei nº 14.434/2022 e à valorização da enfermagem, reforçando desigualdades de gênero e fragilizando conquistas históricas. O enfrentamento desse cenário requer políticas públicas de proteção trabalhista, fortalecimento sindical e fiscalização ativa das relações de trabalho, para garantir condições dignas e consolidar o piso como instrumento real de justiça social e fortalecimento do SUS.

 

Biografia do Autor

Eloisa Melo Garcia, Coordenadoria de políticas públicas para mulheres do município de Porto Velho, Rondônia.

Enfermeira, Coordenadoria de políticas públicas para mulheres do município de Porto Velho, Rondônia.

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Publicado

01/06/2026

Edição

Seção

Revisão